dezembro 19, 2006

Tradição e Vanguarda

Depois da estreia em 2003 com Primeiro Fado e da participação no Álbum Vermelho - ao lado do mano Camané e de nomes como Cristina Branco, Argentina Santos, Mariza e Kátia Guerreiro -, Pedro Moutinho rompe o cordão fraterno e em Encontro aborda o fado tradicional com temas de Carlos e Lucília do Carmo, respectivamente Não me Conformo e A Rua do Desencanto.

Entre nove fados tradicionais, encontramos letras de António Botto, Fernando Pessoa, Manuel Alegre e António Lobo Antunes.

Anda Pacheco!

dezembro 17, 2006

Os Mensageiros do Jazz

ENCICLOPÉDIA ILUSTRADA DO JAZZ & BLUES.
Organização de Howard Mandel, com prefácio de John Scofield
Edições Afrontamento, 2006


Da escassa informação disponível em português, esta obra destaca-se naturalmente pela profundidade e riqueza das biografias de nomes maiores da história do jazz.
Vem mesmo a calhar, esta enciclopédia, nomeadamente para dinamizar o Aqui Jazz o Fado, projecto embrionário que pretende ir às origens e
casamentos destas duas forma de expressão musical...
Como gostava de ter visto o Carlos Paredes ao lado do Charlie Haden no Coliseu!





As evoluções da música popular nos séculos XX e XXI foram muitas e variadas, passando-se da utilização de instrumentos rudimentares e de estruturas melódicas simples a trabalhos mais complexos e ao recurso cada vez maior a tecnologias avançadas. No entanto, é muitas vezes possível traçar as origens da música popular ocidental a partir dos seus muitos artistas e das influências das duas correntes de música afro-americana que se desenvolveram no final do século XIX: o jazz, que saía quente do caldo urbano multicultural de Nova Orleães, e o blues, vindo das paisagens rurais desoladas do Texas e do delta do Mississipi. Estas misturas de elementos da música afro-americana com o mundo cultural e social da América pós-guerra Civil foram evoluindo gradualmente a partir das suas raizes semelhantes, vindo a constituir dois géneros musicais bastante distintos e criando bases sólidas para o surgimento de outros estilos novos.





Esta Enciclopédia proporciona um olhar profundo sobre essa música poderosa e influente, com informação detalhada sobre os artistas inovadores que ajudaram a dar forma ao jazz e ao blues à medida que os estilos foram evoluindo. Organizados por décadas, todos os capítulos abrem com um texto introdutório com a informação básica essencial. As secções «Temas & Estilos» situam a música no seu contexto cultural, histórico e social e descrevem a evolução do jazz e do blues nesse período. Seguem-se as secções biográficas sobre os «Artistas de Referência» de cada década, contendo detalhes sobre faixas emblemáticas e gravações clássicas de cada um deles. Depois, em «Artistas de A-Z», apresentam-se as histórias da vida de muitos outros músicos, vocalistas, compositores, arranjadores, chefes de orquestra e produtores importantes. A secção de referências, bastante abrangente, inclui informação sobre os instrumentos do jazz e do blues, uma extensa lista de artistas, um glossário e bibliografia complementar sugerida.

Sobre a obra, recomenda-se também este artigo de Rui Branco.

dezembro 11, 2006

em português nos entendemos

Frequentemente. Ao fim da tarde.
Pessoal e Transmissível, de Carlos Vaz Marques. Na telefonia sem fios.
O separador, com música de Pat Metheny, dá o mote para o início da descompressão de mais um dia de trabalho. Que por vezes obriga a ficar dentro do carro mais um pouco, porque há conversas que não se deixam a meio...



Algumas dessas conversas, que atravessaram o Atlântico , escorreram agora para as páginas de um livro com música lá dentro.
Conversas com Buarque, Caetano, Betânia.. e violão.

No lançamento do livro, na Fnac, um dueto de peso: Camané e Mário Laginha interpretaram 4 temas de MPB. O Camané que me desculpe - que até gosto muito dele - mas não soa nada bem em português do Brasil. Parece o Herman José a cantar Carmen Miranda.

Publicado originalmente no Luminescências.

novembro 28, 2006

“The Soul of Fado”

Tributo de Guus Slauerhoff ao universo do Fado, entendido no quadro da sua plena universalidade.
O fascínio pelo fado levou-o a visitar Lisboa por várias vezes, nos anos de 2004 e 2005.
Alfama, bairro repleto de segredos históricos, e o Museu do Fado que aí se encontra, ganharam para ele um interesse primordial.
Durante as suas estadas em Lisboa, desenhou fadistas nas casas de fado e vagueou quotidianamente por Alfama, cuja ambiência conseguiu assim encontrar mais de perto.


A arte plástica de Guus Slauerhoff quer representar aquela vivência e experiência do fado, tocando-as, explorando-as, tornando-as palpáveis e visíveis como uma nova dimensão do fado.





"Os meus quadros contam uma história. São uma espécie de ícones de esperança", diz o artista no vídeo que acompanha a exposição. "Nunca houve um artista como eu que manifestasse desta forma este
interesse pelo fado. Gosto de calcorrear as ruelas, de ouvir os intérpretes do fado vadio. Há sempre uma lua no céu, um cão que ladra, um galo a cantar.. Acho isto uma experiência muito valiosa. Eu sou fado, deambulo aqui como o fado, a minha vida é fado".


Paralelamente às suas pinturas, Guus Slauerhoff criou objectos com materiais que"são uma espécie de atributos da vida".


Exemplo disso são uns sapatos, que comprou por um euro na feira da ladra, e que o artista deu nova vida caligrafando neles uma letra de fado e baptizando-os de "sapatos de fado". Porque, como confessa, "o fado possibilita-nos, enquanto seres humanos, contar a poesia intensamente profunda da vida".


A Exposição "The Soul of Fado" (a alma do fado) inclui 18 pinturas, 14 desenhos,. cinco esculturas e ainda trabalhos de colagem e de ensemblage. De 16 de Novembro a 16 Janeiro de 2007, no Museu do Fado

novembro 03, 2006

A Guitarra Portuguesa

A guitarra portuguesa é um instrumento muito difundido em Portugal sendo o que mais se aproxima do sentimento Lusitano do povo português.

A guitarra portuguesa tem um timbre de tal modo inconfundível que, onde quer que esteja, qualquer português a reconhece aos primeiros acordes. É um instrumento musical carregado de simbolismo e, à mercê da sua longa aliança com o Fado, é conotado com o "modo de ser" português. Destino, fado e saudade são palavras que naturalmente se associam ao trinado da guitarra portuguesa.

"Para interpretar o Fado, nenhum instrumento mais de jeito que a guitarra. Está costumada a cantar tristezas desde a mais remota antiguidade e além disso fala tão baixinho que não chega a incomodar os grandes, os felizes, os opulentos. É quase uma criança que chora ou uma mulher que suspira. Impressiona e não atordoa. Faz-se ouvir, mas não se impõe." - citação de Alberto Pimentel, em Photographias de Lisboa, pág.64.

De origem bastante remota, foi outrora designada por guitarra mourisca, por ter certa semelhança com o alaúde, que os árabes introduziram na Península Ibérica sendo, no entanto, as características dos dois instrumentos algo distintas.



As origens da guitarra portuguesa remontam à Idade Média, a um instrumento chamado cítula. Esta evoluiu ao longo dos tempos, passando pela cítara, culminando na guitarra portuguesa.

Começando por ser instrumento habitual nos salões da alta burguesia, sobreviveu e transformou-se nas mãos do povo, para se tornar, actualmente, num instrumento popular.

A guitarra de Fado, como é hoje designada, foi durante muito tempo conhecida por guitarra inglesa. A razão desta designação era devida ao seu fabrico, em Inglaterra, por um violeiro famoso chamado Simpson, o qual fabricava os melhores instrumentos deste género, alguns dos quais eram exportados para Portugal.

Para a construção de qualquer guitarra portuguesa, usam-se madeiras importadas desde a Idade Média, já que os fundos e ilhargas da guitarra têm de ser fabricados em pau-santo, ácer ou mogno. O tampo é executado em spruce, ou pinho da Flandres. Mas, "a grande diferença entre uma boa guitarra e uma má, feitas exactamente com a mesma madeira está na mão do construtor"(citação de Pedro Caldeira Cabral, actualmente uma das maiores autoridades em guitarra portuguesa e música antiga).

A guitarra portuguesa é, em linguagem técnica, um cordofone composto, cuja caixa harmónica é periforme, ou seja, tem forma de pêra. É constituído por seis pares de cordas e já teve diversas afinações, mas a que realmente se enraizou foi a a Afinação de Fado: a começar pelas cordas mais agudas, Si - Lá - Mi - Si - Lá - Ré.



Existem três tipos de guitarra portuguesa: a de Lisboa, a do Porto e a de Coimbra, com diferentes tradições de fabrico. A de Lisboa é a mais pequena das três, com caixa baixa arredondada e é a que possui o som mais "brilhante". A de Coimbra é maior, com o corpo assumindo uma forma mais aguçada. A do Porto é semelhante à de Lisboa. Uma das principais diferenças reside na cabeça da guitarra: a de Coimbra possui uma lágrima incrustada, enquanto que a de Lisboa apresenta um caracol.